O Efeito Alborghetti
Quando cursava faculdade de jornalismo lá nos idos de 1994,
eu sustentava o sonho de me formar e trabalhar logo em um jornal de renome, ou
uma revista famosa. Tinha grande vontade de trabalhar com cultura ou esporte.
Terminei a faculdade, botei o diploma embaixo do braço e fui
garimpar a tão esperada vaga no mercado. Enviei cartas e emails com meu
currículo, visitei redações e fiz muitas seleções.
Como vcs podem ver não deu muito certo, o mercado já nos
anos 90 estava saturado e entre as propostas que eu recebia de emprego cerca de
80% eram na área de vendas (não sei por que eles liam Comunicação Social e
sempre faziam proposta pra vendedor) os outros 20% eram propostas muito ruins
que eu seguramente recusava e ia empurrando com a barriga.
Cheguei a trabalhar na falecida revista política Nação
Brasil (Alguém conheceu?), mas meu sonho de um veículo maior de comunicação
estava distante.
Acabei cursando Educação Física e abandonei de vez o
jornalismo, estagiei, trabalhei em vários lugares com atividade física e saúde,
mas nunca deixei de escrever, nem que fossem umas poesias ou um conto baseado em Charles Bukowski. O
jornalismo acabou virando uma espécie de Hobby para mim.
Mas em todos esses anos, desde que não trabalhei mais com
jornalismo, sempre gostei de acompanhar as notícias, reportagens e o desempenho
dos repórteres nas matérias escritas ou televisivas.
Aí foram passando as figuras de Luiz Carlos Alborghetti,
Leão, Ratinho, Wagner Montes, Marcelo Rezende (O melhorzinho, mas mesmo assim
muito ruim!) e finalmente o Datena.
José Luiz Datena, que começou como locutor esportivo e agora
nos agracia com seus trejeitos explosivos e comentários irritantes na Rede
Bandeirantes. Datena que no passado chegou a ganhar o prêmio Vladimir Herzog em
uma reportagem denunciando as mazelas de um Lixão na cidade de Ribeirão Preto,
hoje é um ícone do péssimo momento que passa o jornalismo brasileiro na TV
aberta.
Só assisto a esses programas de relance, ou quando estou
zapeando em casa a TV a cabo, mas o que vejo às vezes me deixa muito enojado.
Datena parece um ator performático em um palco todo arranjado só para ele.
Grita, gesticula e chega mesmo a estimular a violência.
Parece entusiasmado, quando fala de crimes polêmicos e
hediondos, conclama a população a reagir contra a criminalidade. Um grande
teatro de quem parece se importar mais com as notas sobre seu desempenho do que
com o jornalismo sério.
Ética, a palavra mais importante que eu ouvia na faculdade,
é todos os dias jogada na sarjeta quando passo os olhos no Datena.
Atropela as palavras, ridiculariza o trabalho da polícia,
lança no ar comentários pretensiosos e no fim de tudo parece nos olhar com
aquelas perguntas: “Gostaram, Fui bem?”
É triste perceber que gente como o Datena, Ratinho e muitos
outros que os imitam, são formadores de opiniões, enquanto a TV aberta vai
carecendo cada vez mais de bons profissionais.
Só tenho uma pergunta para esses caras que se consideram as
vozes do povo na televisão: Talvez vcs não se importem, mas as sua contribuições
para fazer desse país um lugar pior, já estão sendo sentidas. Ou vcs acham que
linchamentos resolvem a violência?
PS: O título desse texto é um referencial de quem começou
com esse tipo de “trabalho” jornalístico, Luiz Carlos Alborghetti, que já me enojava
décadas atrás, quando, portanto um cassetete ameaçava os bandidos e os próprios
câmeras de serem empalados por ele.
PS2: Caricato por caricato, prefiro esse jornalista:


