segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


O Efeito Alborghetti


 

Quando cursava faculdade de jornalismo lá nos idos de 1994, eu sustentava o sonho de me formar e trabalhar logo em um jornal de renome, ou uma revista famosa. Tinha grande vontade de trabalhar com cultura ou esporte.
Terminei a faculdade, botei o diploma embaixo do braço e fui garimpar a tão esperada vaga no mercado. Enviei cartas e emails com meu currículo, visitei redações e fiz muitas seleções.
Como vcs podem ver não deu muito certo, o mercado já nos anos 90 estava saturado e entre as propostas que eu recebia de emprego cerca de 80% eram na área de vendas (não sei por que eles liam Comunicação Social e sempre faziam proposta pra vendedor) os outros 20% eram propostas muito ruins que eu seguramente recusava e ia empurrando com a barriga.
Cheguei a trabalhar na falecida revista política Nação Brasil (Alguém conheceu?), mas meu sonho de um veículo maior de comunicação estava distante.
Acabei cursando Educação Física e abandonei de vez o jornalismo, estagiei, trabalhei em vários lugares com atividade física e saúde, mas nunca deixei de escrever, nem que fossem umas poesias ou um conto baseado em Charles Bukowski. O jornalismo acabou virando uma espécie de Hobby para mim.
Mas em todos esses anos, desde que não trabalhei mais com jornalismo, sempre gostei de acompanhar as notícias, reportagens e o desempenho dos repórteres nas matérias escritas ou televisivas.
Aí foram passando as figuras de Luiz Carlos Alborghetti, Leão, Ratinho, Wagner Montes, Marcelo Rezende (O melhorzinho, mas mesmo assim muito ruim!) e finalmente o Datena.
José Luiz Datena, que começou como locutor esportivo e agora nos agracia com seus trejeitos explosivos e comentários irritantes na Rede Bandeirantes. Datena que no passado chegou a ganhar o prêmio Vladimir Herzog em uma reportagem denunciando as mazelas de um Lixão na cidade de Ribeirão Preto, hoje é um ícone do péssimo momento que passa o jornalismo brasileiro na TV aberta.
Só assisto a esses programas de relance, ou quando estou zapeando em casa a TV a cabo, mas o que vejo às vezes me deixa muito enojado. Datena parece um ator performático em um palco todo arranjado só para ele. Grita, gesticula e chega mesmo a estimular a violência.
Parece entusiasmado, quando fala de crimes polêmicos e hediondos, conclama a população a reagir contra a criminalidade. Um grande teatro de quem parece se importar mais com as notas sobre seu desempenho do que com o jornalismo sério.

 
Ética, a palavra mais importante que eu ouvia na faculdade, é todos os dias jogada na sarjeta quando passo os olhos no Datena.
Atropela as palavras, ridiculariza o trabalho da polícia, lança no ar comentários pretensiosos e no fim de tudo parece nos olhar com aquelas perguntas: “Gostaram, Fui bem?”
É triste perceber que gente como o Datena, Ratinho e muitos outros que os imitam, são formadores de opiniões, enquanto a TV aberta vai carecendo cada vez mais de bons profissionais.
Só tenho uma pergunta para esses caras que se consideram as vozes do povo na televisão: Talvez vcs não se importem, mas as sua contribuições para fazer desse país um lugar pior, já estão sendo sentidas. Ou vcs acham que linchamentos resolvem a violência?




PS: O título desse texto é um referencial de quem começou com esse tipo de “trabalho” jornalístico, Luiz Carlos Alborghetti, que já me enojava décadas atrás, quando, portanto um cassetete ameaçava os bandidos e os próprios câmeras de serem empalados por ele.

PS2: Caricato por caricato, prefiro esse jornalista: