Conquistas do Feminismo X Mulheres Frutas
Nos anos 10 e 20 na Europa e
principalmente nos Estados Unidos as mulheres lutavam para terem os mesmos
direitos que os homens. Pode parecer banal, mas naquela época na terra do Tio
Sam, elas não tinham ainda adquirido em todos os estados, o direito de votarem.
O que parece um absurdo nos dias de hoje, antigamente era normal. Os governantes
e boa parte da população pensava que ao invés de participar de decisões
importantes da política estatal e nacional, as mulheres tinham de ficar em
casa, cuidando dos filhos e sendo esposas exemplares para seus maridos.
Foi somente em 1920 que a
deputada Jeannette Rankin, conseguiu aprovar no congresso o direito de voto as
mulheres de todos os estados da união americana.
No Brasil, isso só aconteceu
em 1932, devido à batalha iniciada em 1910 pela educadora Leolinda de
Figueiredo Daltro.
Mas o que isso tudo tem a ver
com a minha alusão feita as alcunhas das “Mulheres Frutas” no título do texto,
vocês devem estar se perguntando. Mas antes disso, eu ainda preciso listar que
o movimento feminista não ficou restrito a essas épocas. Como se esquecer das
feministas que marcharam contra a opressão dos estados machistas e a repressão,
pedindo simplesmente igualdade de direitos? Das libertárias que queimaram
sutiãs em praça pública, simbolizando assim a libertação das amarras da
sociedade?
Foi à época de afirmação dos
direitos das mulheres em toda sua plenitude. Conquistas que orgulham nossas
mães e avós nos dias de hoje, foram feitas de muito suor e lágrimas. O direito
de uma mulher pedir o divórcio, ou por mais improvável de uma esposa provar que
foi violentada por seu marido eram tidos como devaneios até bem pouco tempo
atrás.
A mulher passou de sexo
frágil a poderosa mãe, solteira ou divorciada, que dá as cartas e tem a palavra
final na concessão de limites que os homens anseiam. Instintos primitivos que nossos
antepassados tinham como “direito” ou mesmo a dita “honra do homem” hoje podem
(graças às lutas feministas) ser considerados crimes e punidos com cadeia ao
homem que ainda supor estar vivendo no século 18.
Mas então chegamos ao
século 21 e a invasão nos veículos de mídia das famigeradas mulheres frutas.
Bem, o que podemos dizer da fêmea que se pinta, veste e canta sempre em alusão
a alimentos e pratos saborosos de nossa culinária? Seja a mulher melancia,
maçã, melão, morango, filé (essa é impagável) ou a nossa adorável fruta nativa
jaca, essas meninas se vendem como objeto de desejo dos machos (e de muitas
fêmeas também, pra não parecer hipócrita) num festival de dancinhas, jingles e
gestos apelativos.
Quero deixar claro que
não pretendo negar esse direito a elas de serem vulgares. Isso foi adquirido há
anos atrás, quando um traje de banho feminino tinha de cobrir até quase o calcanhar
da senhorita que desejasse se banhar nas praias.
Só considero decadente e
ignóbil essa liberdade. Em tempos, onde quase tudo é permitido, quase tudo vira
notícia, eu considero muito pobre sermos lembrados como uma nação de mulheres
frutas.
Tenho pena das adolescentes
que anseiam em imitar e agir como essas mulheres, procurando a quase todo
momento referências de suas “deusas do rebolado” e pior ainda, transbordando
sexualidade na tenra juventude.
Foram muitas décadas de lutas
e sofrimento real, para que tudo chegasse a esse ponto. Nos picos de audiência
das redes televisivas, ou na sanha desenfreada dos bailes funk, lá estão elas
exibindo corpos lapidados em horas de exercício insalubre, litros de silicone e
plásticas deformantes para o deleite de uma platéia abobalhada e cultuadora da ignorância
e futilidade.
Estamos vivenciando uma era
de criação de ícones da sexualidade vulgar e apelativa em troca do
emburrecimento.
Mas talvez, seja isso mesmo
que merecemos nessa sociedade de inversão de valores, onde o espaço de uma
médica, engenheira, cientista ou mesmo ganhadora de prêmio Nobel, tem bem menos
espaço nos veículos de comunicação ante uma dançarina com apelido de vegetal.
Pode ser o início de uma nova
era, onde as jovens usem um pouco mais o cérebro e menos a bunda para
questionar onde estamos indo.
A vida de vantagens, fama e
dinheiro que é produzido nesse desmiolado mundo da mídia é extremamente
atraente, e sabemos que no Brasil, as eras ruins duram muito, mas não acredito
que nossas netas e bisnetas venham ainda a cultuar tudo isso.
Vale lembrar, que a
palavra final sobre a ridicularizarão ou não do sexo feminino pertence às próprias
mulheres.
Basta dizer não!
PS: Nada
contra a Intitulada Marcha das Vadias, mas ela tinha de escolher justamente
essa frase!!! :P
Pra não terminarmos com essa imagem, que tal o
especial "Mulher 80" exibido em 1980 na Tv:




