segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Conquistas do Feminismo X Mulheres Frutas




Nos anos 10 e 20 na Europa e principalmente nos Estados Unidos as mulheres lutavam para terem os mesmos direitos que os homens. Pode parecer banal, mas naquela época na terra do Tio Sam, elas não tinham ainda adquirido em todos os estados, o direito de votarem. O que parece um absurdo nos dias de hoje, antigamente era normal. Os governantes e boa parte da população pensava que ao invés de participar de decisões importantes da política estatal e nacional, as mulheres tinham de ficar em casa, cuidando dos filhos e sendo esposas exemplares para seus maridos.
Foi somente em 1920 que a deputada Jeannette Rankin, conseguiu aprovar no congresso o direito de voto as mulheres de todos os estados da união americana.
No Brasil, isso só aconteceu em 1932, devido à batalha iniciada em 1910 pela educadora Leolinda de Figueiredo Daltro.
Mas o que isso tudo tem a ver com a minha alusão feita as alcunhas das “Mulheres Frutas” no título do texto, vocês devem estar se perguntando. Mas antes disso, eu ainda preciso listar que o movimento feminista não ficou restrito a essas épocas. Como se esquecer das feministas que marcharam contra a opressão dos estados machistas e a repressão, pedindo simplesmente igualdade de direitos? Das libertárias que queimaram sutiãs em praça pública, simbolizando assim a libertação das amarras da sociedade?
Foi à época de afirmação dos direitos das mulheres em toda sua plenitude. Conquistas que orgulham nossas mães e avós nos dias de hoje, foram feitas de muito suor e lágrimas. O direito de uma mulher pedir o divórcio, ou por mais improvável de uma esposa provar que foi violentada por seu marido eram tidos como devaneios até bem pouco tempo atrás.
A mulher passou de sexo frágil a poderosa mãe, solteira ou divorciada, que dá as cartas e tem a palavra final na concessão de limites que os homens anseiam. Instintos primitivos que nossos antepassados tinham como “direito” ou mesmo a dita “honra do homem” hoje podem (graças às lutas feministas) ser considerados crimes e punidos com cadeia ao homem que ainda supor estar vivendo no século 18.


Mas então chegamos ao século 21 e a invasão nos veículos de mídia das famigeradas mulheres frutas. Bem, o que podemos dizer da fêmea que se pinta, veste e canta sempre em alusão a alimentos e pratos saborosos de nossa culinária? Seja a mulher melancia, maçã, melão, morango, filé (essa é impagável) ou a nossa adorável fruta nativa jaca, essas meninas se vendem como objeto de desejo dos machos (e de muitas fêmeas também, pra não parecer hipócrita) num festival de dancinhas, jingles e gestos apelativos.
Quero deixar claro que não pretendo negar esse direito a elas de serem vulgares. Isso foi adquirido há anos atrás, quando um traje de banho feminino tinha de cobrir até quase o calcanhar da senhorita que desejasse se banhar nas praias.
Só considero decadente e ignóbil essa liberdade. Em tempos, onde quase tudo é permitido, quase tudo vira notícia, eu considero muito pobre sermos lembrados como uma nação de mulheres frutas.
Tenho pena das adolescentes que anseiam em imitar e agir como essas mulheres, procurando a quase todo momento referências de suas “deusas do rebolado” e pior ainda, transbordando sexualidade na tenra juventude.
Foram muitas décadas de lutas e sofrimento real, para que tudo chegasse a esse ponto. Nos picos de audiência das redes televisivas, ou na sanha desenfreada dos bailes funk, lá estão elas exibindo corpos lapidados em horas de exercício insalubre, litros de silicone e plásticas deformantes para o deleite de uma platéia abobalhada e cultuadora da ignorância e futilidade.
Estamos vivenciando uma era de criação de ícones da sexualidade vulgar e apelativa em troca do emburrecimento.
Mas talvez, seja isso mesmo que merecemos nessa sociedade de inversão de valores, onde o espaço de uma médica, engenheira, cientista ou mesmo ganhadora de prêmio Nobel, tem bem menos espaço nos veículos de comunicação ante uma dançarina com apelido de vegetal.
Pode ser o início de uma nova era, onde as jovens usem um pouco mais o cérebro e menos a bunda para questionar onde estamos indo.
A vida de vantagens, fama e dinheiro que é produzido nesse desmiolado mundo da mídia é extremamente atraente, e sabemos que no Brasil, as eras ruins duram muito, mas não acredito que nossas netas e bisnetas venham ainda a cultuar tudo isso.

Vale lembrar, que a palavra final sobre a ridicularizarão ou não do sexo feminino pertence às próprias mulheres.
Basta dizer não!







PS: Nada contra a Intitulada Marcha das Vadias, mas ela tinha de escolher justamente essa frase!!! :P







Pra não terminarmos com essa imagem, que tal o especial "Mulher 80" exibido em 1980 na Tv:

 






domingo, 17 de junho de 2012

Qual o limite de uma piada?


16 de junho foi a pré estréia do novo programa humorístico do FX, "A Vida de Rafinha Bastos". A mídia, de um modo geral, preferiu não dar ao caso muita divulgação. De fato, pra quem não acompanha as desventuras do humorista na internet, ficou difícil saber dessa nova empreitada.

Rafinha Bastos trabalha com esse tipo de humor ácido e às vezes caótico, desde que voltou de uma viagem aos Estados Unidos, onde pretendia se tornar jogador de basquete. Não deu certo e ele começou a fazer sátiras de artistas e cantores na internet. A famosa "Página do Rafinha", foi um sucesso e logo o colocaram na tv aberta.

Mas foi no CQC, programa da Bandeirantes que além de fazer protestos engenhosos e bem humorados sobre as muitas mazelas dos políticos brasileiros, não costuma levar ninguém a sério e faz piadas de (quase) tudo e de todos. Eu disse quase tudo certo? Pois bem os cartolas da Band, não gostaram quando seu melhor humorista fez uma piada com alguém influente e cheia de amigos graúdos no mundo da propaganda e resolveu afastar o Rafinha do programa. Algum tempo depois, em uma negociação a qual se exigia dele pedir desculpas publicamente pelo comentário "maldoso" contra a pretensa dublê de cantora, o humorista preferiu perder o emprego a perder a piada. E fez mais, resolveu sair de vez da Bandeirantes, se retirando também do excelente programa A Liga, que ele mesmo era o principal responsável e criador.

Mas vamos falar sobre a série. De um modo geral, vejo um programa promissor e bem diferenciado dos concorrentes. Fiquei aliviado, quando vi que não fizeram um citycon, como chegou a ser previsto, e sim um misto de ficção e realidade bem trabalhado e com piadas que fluem naturalmente sem forçar a barra.
Os amigos de Rafinha tem uma participação um tanto limitada, mas nem por isso comprometedora no episódio. Mas o grande destaque foi para o lutador de MMA, Minotauro; se saiu muito bem diante das câmeras e pode se gabar de ter sido uma das melhores interpretações de todos os não artistas da tv brasileira.

Nesse episódio, Rafinha propõe uma análise sobre os limites e a função de uma piada na sociedade. A melhor cena vem logo no começo, quando ele desafia todos os amigos a tentar deixá-lo ofendido com qualquer tipo de piada. Segue-se então um bombardeio de referências grotescas que são capazes de corar até mesmo o Marquês de Sade, e Rafinha então prova de seu próprio veneno, mesmo que de mentirinha. No mais, o programa se paga totalmente e não vou falar muito mais porque quem não viu ainda terá a chance, daqui a dois meses tem a estréia, e serão 13 episódios no total.



Sobre os limites de uma piada (qualquer piada) eu simplesmente digo, o limite é o próprio humor. O limite de uma piada é ela ser engraçada. Se teve graça, alguém riu, a piada cumpriu seu papel e pronto. Processem o Rafinha, o quanto se sentirem ofendidos, mas não o censurem. A liberdade de expressão é um dos bens mais caros a uma sociedade democrática, tolher isso é um princípio a ditadura e mesmo a melhor das ditaduras é pior que a pior das democracias.


E falando sério, "Comeria ela o bebê" nem é tão sem graça assim, pelo menos o Luque (o que esse cara ainda faz no CQC?) e o Tas gostaram da piada, como v cs mesmos podem ver:



Gostaria de finalizar, deixando para vcs um vídeo do The Amazing Atheist, sobre as ofensas de um modo geral.
Hipócritas e Falsos Moralistas tem a obrigação de se sentirem ofendidos ao verem isso:




Tem que estudar, se não estudar vai virar o quê? Político?  

Rafinha Bastos