16 de junho foi a pré estréia do novo programa humorístico do FX, "A Vida de Rafinha Bastos". A mídia, de um modo geral, preferiu não dar ao caso muita divulgação. De fato, pra quem não acompanha as desventuras do humorista na internet, ficou difícil saber dessa nova empreitada.
Rafinha Bastos trabalha com esse tipo de humor ácido e às vezes caótico, desde que voltou de uma viagem aos Estados Unidos, onde pretendia se tornar jogador de basquete. Não deu certo e ele começou a fazer sátiras de artistas e cantores na internet. A famosa "Página do Rafinha", foi um sucesso e logo o colocaram na tv aberta.
Mas foi no CQC, programa da Bandeirantes que além de fazer protestos engenhosos e bem humorados sobre as muitas mazelas dos políticos brasileiros, não costuma levar ninguém a sério e faz piadas de (quase) tudo e de todos. Eu disse quase tudo certo? Pois bem os cartolas da Band, não gostaram quando seu melhor humorista fez uma piada com alguém influente e cheia de amigos graúdos no mundo da propaganda e resolveu afastar o Rafinha do programa. Algum tempo depois, em uma negociação a qual se exigia dele pedir desculpas publicamente pelo comentário "maldoso" contra a pretensa dublê de cantora, o humorista preferiu perder o emprego a perder a piada. E fez mais, resolveu sair de vez da Bandeirantes, se retirando também do excelente programa A Liga, que ele mesmo era o principal responsável e criador.
Mas vamos falar sobre a série. De um modo geral, vejo um programa promissor e bem diferenciado dos concorrentes. Fiquei aliviado, quando vi que não fizeram um citycon, como chegou a ser previsto, e sim um misto de ficção e realidade bem trabalhado e com piadas que fluem naturalmente sem forçar a barra.
Os amigos de Rafinha tem uma participação um tanto limitada, mas nem por isso comprometedora no episódio. Mas o grande destaque foi para o lutador de MMA, Minotauro; se saiu muito bem diante das câmeras e pode se gabar de ter sido uma das melhores interpretações de todos os não artistas da tv brasileira.
Nesse episódio, Rafinha propõe uma análise sobre os limites e a função de uma piada na sociedade. A melhor cena vem logo no começo, quando ele desafia todos os amigos a tentar deixá-lo ofendido com qualquer tipo de piada. Segue-se então um bombardeio de referências grotescas que são capazes de corar até mesmo o Marquês de Sade, e Rafinha então prova de seu próprio veneno, mesmo que de mentirinha. No mais, o programa se paga totalmente e não vou falar muito mais porque quem não viu ainda terá a chance, daqui a dois meses tem a estréia, e serão 13 episódios no total.
Sobre os limites de uma piada (qualquer piada) eu simplesmente digo, o limite é o próprio humor. O limite de uma piada é ela ser engraçada. Se teve graça, alguém riu, a piada cumpriu seu papel e pronto. Processem o Rafinha, o quanto se sentirem ofendidos, mas não o censurem. A liberdade de expressão é um dos bens mais caros a uma sociedade democrática, tolher isso é um princípio a ditadura e mesmo a melhor das ditaduras é pior que a pior das democracias.
E falando sério, "Comeria ela o bebê" nem é tão sem graça assim, pelo menos o Luque (o que esse cara ainda faz no CQC?) e o Tas gostaram da piada, como v cs mesmos podem ver:
Gostaria de finalizar, deixando para vcs um vídeo do The Amazing Atheist, sobre as ofensas de um modo geral.
Hipócritas e Falsos Moralistas tem a obrigação de se sentirem ofendidos ao verem isso:
Tem que estudar, se não estudar vai virar o quê? Político?
Rafinha Bastos
